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Iamuricumã

Foto India Yanomani.

Certa vez o sertanista Orlando Villas Boas foi aprisionado pelos índios Kayapó.

Era a época dos primeiros contatos entre estes índios e os civilizados. Os Kayapó eram considerados guerreiros ferozes e temidos por toda a extensão do rio Xingu. Orlando Villas Boas estava em uma aldeia deles, cercado por dezenas de homens pintados para a guerra, ansiosos por derramar sangue e que já haviam decidido matar aquele estranho homem branco.

Orlando Villas Boas viu uma velha Kayapó e gritou por socorro. A mulher se aproximou do grupo de guerreiros e todos silenciaram. Ela mandou que os homens soltassem o homem branco e, junto com outras mulheres, escoltou Orlando até o barco para que ele pudesse ir embora sem ser molestado.

É difícil para a sociedade dos civilizados, entender que uma guarnição militar inteira possa reverter uma decisão por causa das palavras de uma mulher. Seria considerado um fato raro. Esta história serve para ilustrar a complexidade do papel que as mulheres indígenas exercem em suas comunidades.

Sobre a festa das Mulheres :

Os índios Kamayurá, do Parque do Xingu, contam que antigamente havia a aldeia das Iamuricumá. Um dia os homens desta aldeia saíram para pescar e demoraram muito para voltar.

Passou uma lua até que um jovem foi ver o que tinha acontecido. Ele descobriu que os homens estavam se transformando em bichos. Alguns viraram porcos e outros bichos do mato.

O jovem voltou à sua aldeia e contou o caso para sua mãe. Ela reuniu todas as mulheres e decidiram deixar aquele local, antes que seus maridos retornassem. As mulheres vestiram os enfeites que só os homens podiam usar e pintaram-se como eles. Algumas mulheres começaram a cantar e foram subindo, subindo até alcançarem o teto de suas casas. Lá ficaram cantando e dançando por dois dias.

As mulheres passaram um veneno no corpo e se transformaram em espíritos. Por isso é que até hoje, no local onde vivem as Iamuricumá, não se pode tirar raiz, planta ou caçar; ou o índio enlouquece e desaparece para sempre.

As mulheres agarraram um velho, colocaram duas pás de fazer beiju no lugar das mãos dele e o transformaram em tatu. O velho disse: “Agora não sou mais gente. Sou tatu“, e começou a cavar um túnel. As mulheres o seguiram.

As mulheres das outras aldeias em que as Iamuricumá passavam, resoviam se juntar ao grupo e continuavam viajando, viajando sempre. Até hoje elas caminham, sempre enfeitadas e cantando.

Nas aldeias do Alto Xingu, as mulheres fazem festa para as Iamuricumá até os dias atuais. Nos dias da festa os homens têm que obedecer a todas as vontades das mulheres.

Este video é um projeto de apresentação de Marlui Miranda, trazendo o ritual “Iamuricumã“, praticado pelo grupo indígena Wauja do Alto Xingu, como parte do projeto “Donzela Guerreira - As faces do Feminino Na Música“. acontecendo no CCBB (RIo).

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