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De onde veio o Homem Branco? A visão do Outro!

Esse texto não é de origem do nosso projeto,recebemos de um leitor do blog e realmente é um texto que conta uma outra visão da nossa história.

Uma visão diferente que mostra as dificuldades do índio em nosso pais e a violência cometida ao longos dos anos pelo “homem branco” e a angustia e o drama de muitos povos originários de nosso pais em perderem suas terras e sua cultura.Seria o contato com as nossas cidades e a cultura europeia e a tecnológica uma ameaça a esses povos?

Penso no futuro de muitas aldeias que estão sendo exterminadas até hoje pelo dinheiro e pela ganancia, como a nossa própria terra que cada vez está sendo mais suja e queimada para o uso da agropecuária e monoculturas como a cana de açúcar e a soja,muitos acabam tendo muitos e poucos acabam ficando cada vez com nada!.

Índio Morto


“…tenho-me (…) instruído, aos poucos, a descobrir a diferença entre olhar e ver e entre ver e reparar. (…) o verdadeiro conhecimento estará na consciência que tivermos da mudança de um nível de percepção (…) a outro nível.”
José Saramago

Sua religião,suas crenças e o culto aos deuses da natureza cada vez mais perdido,poucas tribos que ainda não tem contato com o “Brasil” preservam sua cultura,suas festas e a tradição indígena.

Desde os primeiros encontros com o europeu, o indígena foi submetido à catequese, indispensável à sua “salvação”. O objetivo era assimilação da língua e costumes do colonizador e nesse processo, perderam-se tradições consideradas inferiores ou “imorais”. Ao perder seus referenciais inicia-se, para o indivíduo, um processo de desintegração moral. Estudos antropológicos fizeram o caminho inverso e buscam, no passado, os fundamentos de cada cultura. Hoje, conscientes da importância de suas tradições, muitos povos lutam pela integridade de seu território, condição de sobrevivência física e moral.

Quando falamos do índio, usamos incorretamente o singular, pois os consideramos todos iguais. Muitas comunidades foram dizimadas ou desapareceram devido a miscigenação, outras, aculturadas, se preocupam com o resgate de suas tradições. Segundo notícias, em Rondônia no município de Guajará-Mirim e próximo à aldeia dos Karipuna, descobriram-se vestígios de grupos isolados, ainda sem contato com o branco.

Indios em culto

O colonizador, diante das diferenças culturais, fazia-se a pergunta “De onde vieram os índios para a América?” Hoje, pesquisas nas áreas de Antropologia, Lingüística, Arqueologia e Genética, procuram responder a essas questões. Entre os aborígenes, as mesmas dúvidas. A variedade de respostas nos dá a medida da diversidade cultural desses povos. A explicação para a origem do invasor e da causa da subordinação do grupo, encontra em cada sociedade uma resposta de acordo com seus conhecimentos. Júlio César Melatti cita dois mitos.

Entre os Timbira, do sul do Maranhão e norte de Tocantins a lenda fala de Aukê. O menino, ainda no ventre da mãe, saía para brincar à beira da água enquanto ela se banhava. O avô, temendo seus poderes, atirou-o do alto de um morro e ele, transformado numa folha seca, chegou ao chão. Atirado numa fogueira transformou-se no primeiro homem branco que construiu casa e criou bois numa fazenda. Seu avô ainda procurou-o, e ele ofereceu a espingarda e o arco. Temendo a arma de fogo, ele preferiu o arco e os índios permaneceram índios, embora Aukê preferisse que seu povo usasse técnicas, fosse civilizado. O mito evoluiu adaptado à realidade que os envolve, os vizinhos, fazendeiros criadores de gado.

Os Kadivéu do Mato Grosso do Sul, domesticam o cavalo. Eram conhecidos como Guaikurú e dominavam outros povos inclusive portugueses e espanhóis, tornados seus escravos. O mito ensina que todos os homens foram tirados de um buraco por Gô-noéno-hodi e receberam terras de presente, menos os Kadivéu. A razão é que enquanto o herói foi buscar presentes, os Kadivéu foram para o mato buscar frutos e mel. O branco, ao contrário pediu-lhe a bênção e recebeu a enxada e a máquina de fazer pano. Para o herói, todos devem se fixar na terra e plantar, mas como os Kadivéu preferiam obter seu sustento se deslocando, podiam continuar. Ganharam um privilégio: lutar com os outros e tomar tudo o que possuíam. Essa interpretação revela maior conhecimento de outros povos.

A criatividade dos relatos do mito demonstra adaptação à realidade. Desde o início da colonização, ignoraram-se valores e desestruturou-se a cultura e a vida dos primitivos habitantes. Hoje, com o desenvolvimento do capitalismo ocorre o avanço sobre seu território para uso das lavouras. Como fica o seu direito à terra?

È outra forma de violência! O horror dos ataques às torres gêmeas em Nova York e os recentes atos terroristas no Metrô de Madri nos fazem refletir sobre diferentes formas da violência. Será própria do Homem? Nada pode ser feito para atenuá-la? Como num trabalho de formigas pensamos em construir um pouco de paz ao nosso redor para que contamine o mundo. Será Utopia? O caminho parece ser o entendimento do “outro”. Precisamos aprender a ver o outro com seus costumes e tradições, respeitando-o em seu espaço físico e cultural. E é preciso não apenas ver, mas reparar, pois segundo Saramago, esse é um nível superior de percepção.

Belmira I. M. Melchor
Grupo Flamboyant

1 Comentário»

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