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Manda descer pra ver, “filhos de Ghandi”

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Basta mencionar o nome Gandhi para que automaticamente muitos se lembrem do pacifismo como um meio para um fim nobre, que é a paz. “Olho por olho e o mundo acabará cego”, eis o resumo da doutrina gandhiana. Em muitos aspectos, essa doutrina remete aos ensinamentos de Cristo, que teria dito no famoso Sermão da Montanha:

“Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente; Eu, porém, te digo que não resistas ao mau; mas se alguém te bater na tua face direita, oferece-lhe também a outra”. Em resumo, jogar fora a lex talionis e responder à violência com amor. O próprio Gandhi afirmara que “Cristo é a maior fonte de força espiritual que o homem até hoje conheceu”. E para ele, “a força de um homem e de um povo está na não-violência”.

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MANDA DESCER…
“Omolu, Ogum, Oxum, Oxumaré, Todo o pessoal, Manda descerpra ver, “filhos de Ghandi”. (Gilberto Gil).
Escute agora mesmo a música “filhos de Ghandi” com o Gil e Jorge,clicando aqui.

Como o carnaval já esta chegando.vamos falar um pouco sobre um bloco de carnaval e uma instituição bem conhecidade em nosso pais e na Bahia os “filhos de Ghandi”

Eles não tocam rítmo africano, tocam ijexá e afoxé que são rítmos brasileiros (apesar de que sempre se entende por rítmos brasileiros aqueles que difundidos no rio-são paulo) com clara influência africana.

Atualmente, entre todos, Filhos de Gandhi é o mais famoso. Com sua roupa branca, seu turbante felpudo, na sua maioria é composto por negros, homens de origem humilde, operários, ligados aos inúmeros terreiros de candomblé da Bahia. Mas o primeiro grupo de afoxé saiu às ruas em 1895 e mostrava aos foliões de Salvador aspectos dos ritos do candomblé. A partir dessa época surgiram muitos outros vindos dos bairros de Brotas,
Engenho Velho, Soledade, Santana e Aguade Meninos, destacando-sea Chegada Africana e os Filhos da Africa como os mais representativos. O Clube de Pândegos da
África, surgido em 1897, fez também muito sucesso.

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FORÇA E NEGRITUDE

Mas o Carnaval da Bahia é ainda rico pela força de outras manifestações culturais, como são os blocos afro, cadaano em quantidade maior e alguns, já conhecidos nacionalmente, como é o caso do llê Aiyê.

Outros estão crescendo e criando fama, a exemplo do Malê Debalê, do Araketu, ObáLaiyê e Puxada Carnavalesca Axé. A força desses blocos está na cultura negra, na beleza e plasticidade de suas sambistas, na própria fantasia e na alegria dos se,us
temas, sempre homenageando a “mãe Africa”, e na harmonia de suas baterias, puxadas, geralmente, por ágeis mãos negras, no som sincopado dos atabaques.

Culturalmente, eles representam a força viva da negritude na Bahia e o Carnaval é a forma mais pungente de fazer ecoar o seu grito de liberdade.

Outros blocos e cordões fazem do Carnaval uma festa que Ihes permite mostrar a sua força e união. Nesse caso, destaca-se o Apaches do Tororó, com mais de mil
homens empunhando machados e cânticos de amor contra a guerra, na categoria de blocos índios. Existem outros: Cacique do Garcia, Comanches, Guaranys e Tupys. Todos
representam segmentos de uma camada mais baixa da população e, por isso mesmo, são de uma alegria contagiante, de um samba forte, autêntico, com suas negras e mulatas sambando no pé, de tangas, missangas e colares.

Esfuziantes e descompromissados—a não ser com o direito de brincar—estão os outros cordões e blocos formados por jovens da classe média. Existem os que
sempre se apresentam com fantasias sofisticadas (Os Internacionais, Corujas, Lord’s) e os que preferem a simplicidade e o comodismo de mortalhas ou macacões
(Trás os Montes, Cheiro de Amor, Eva, Camaleão, Jacu, Filhos do Barão). Há ainda os que, ferindo os padrões normais, desfilam tra vestidos de mulheres, homenageando algumas minorias, as prostitutas e os travestis e dando ao Carnaval a irreverência e humor
indispensáveis.
Nada é comparável a quem vem de um trio elétrico, suor escorrendo pelo corpo, a carne exposta, o corpo aberto e bate de frente com um afoxé, naquela atitude pastoral, fechada, enchendo a rua com a sua força. “Dá vontade de chorar, você sente aquela calma, aquele
arrepio percorrendo o corpo, aquela força tomando conta de você. Esse é o lado espiritual, orientalizado do Carnaval, o equilíbrio”, como afirma o cantor e compositor Gilberto, o mais célebre integrante do afoxé Filhos de Ghandi.

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Me parece que o Ghandi vem dos estivadores do cais da Bahia, que no passado foram os principais participantes da revoltada dos Malês, feito pelos negros muçulmanos insatifeitos com o sistema.

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Segundo o site da instituiçãos sobre a história do grupo,em 1948 os estivadores eram tidos como privilegiados, dadas as condicoes economicas da epoca que lhes favorecia e ao fato de nao terem patroes. O trabalho era fiscalizado pelo proprio sindicato dos estivadores, o que lhes conferia um certo status. Data desse ano a fundacao do bloco “Comendo Coentro”, composto de um caminhao em que se instalou varios instrumentos musicais, seguido dos estivadores, trajados finamente com o que de mais elegante existia: roupas de linho importado, chapeus “Panama” e sapatos “Scamatchia”. A festa era regada a muita comida e bebida e os estivadores chegavam a alugar barracas para a farra carnavalesca.

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Em 1949 com a politica de arrocho salarial, numa verdadeira economia de pos-guerra, o Governo Federal interviu nos sindicatos, inclusive no sindicato dos estivadores, o que fez decair a renda dos sindicalizados. O “Comendo Coentro” nao pode sair as ruas devido a crise financeira que se abateu sobre os estivadores e porque eles nao queriam desfilar em condicoes inferiores as do ano anterior. Surgiu, entao, a ideia de levar um “cordao”, ou bloco de carnaval, idealizado por Durval Marques da Silva, o “Vava Madeira”, com o apoio dos demais estivadores arrecadaram dinheiro e foram as compras, adquirindo lencois para serem utilizados na confeccao dos trajes, barris de mate e couro, com os quais construiram os tambores utilizados no acompanhamento do cortejo.

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O nome do bloco foi sugerido por “Vava Madeira”, inspirado na vida do lider pacifista Mohandas Karamchand Gandhi, trocando-se, entretanto, a letra “i” por “y”, com a intencao de evitar possiveis represalias pelo uso do nome de uma importante figura do cenario mundial. Batizou-se entao o bloco com o nome “Filhos de Gandhy”.

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Tornou-se o mais famoso e o maior dos Afoxés da Bahia, que conta com aproximadamente 10.000 integrantes.

Tradicionalmente a ‘fantasia’ contém, além do turbante e das vestimentas, um perfume de alfazema e colares azul e branco. Os colares já são conhecidos tradicionalmente por “colar dos filhos de Ghandy”, que são oferecidos para os admiradores como forma de desejar-lhes paz durante o carnaval e ao longo do ano.

As cores dos colares é um referencial de paz e o afoxé enfoca Oxalá, que é o deus maior. O branco é de Oxalá menino, o Oxaguiam, e o azul de Ogum; as contas são amuletos da sorte. E cada um usa de acordo com a indumentária, da maneira que se achar elegante, não existe quantidade fixa de contas para cada colar, nem quantos colares se deve usar.

Os Filhos de Gandhy abrigam homens de todas as raças, credo e condições sociais que estejam dispostos a serem propagadores da paz. E diante de toda a violência que tem chocado o mundo, os filhos de Gandhy inundam a Bahia trazendo mensagens de paz, alegria, tolerância, e compreensão, pregando o entendimento entre os homens, pois acreditam que assim, os problemas do mundo serão resolvidos.

Curiosidades do grupo segundo a Wikipédia:

  • Dentre as regras do bloco, determinou-se que as mulheres apenas poderiam participar assistindo aos desfiles e na confecção das indumentárias e roupas dos filhos de Gandhy, além de levar comida e bebidas aos participantes do desfile durante o cortejo.
  • O uso de bebida alcoólica também é proibido, por ir de encontro aos ideais de paz que inspiraram a criação do bloco.
  • No segundo ano de desfile o bloco já contava com considerável número de participantes e admiradores. A partir de então foram sendo introduzidas as alegorias que representam os sentimentos de Mahatma Gandhi: a cabra – símbolo da vida e o camelo – símbolo da resistência.
  • Em 1951 o bloco foi transformado em afoxé, por terem sido introduzidas músicas afros e o Camdomblé como orientação religiosa.
  • No quarto ano de fundação do bloco, foram incorporadas novidades: o lanceiro, o fuzileiro e os porta-estandartes, com a função de fiscalizar e assegurar a ordem dentro do bloco. Vieram, ainda, se incorporar ao cortejo o elefante e o camelo maior.
  • Em 1974 o Afoxé Filhos de Gandhy fechou por questões administrativo-financeiras, na presidência de Alberto Anastácio da Cruz. O bloco foi despejado de sua sede e todas as suas alegorias foram jogadas na rua. Durante dois anos o bloco não desfilhou no carnaval de Salvador.
  • Devido a várias campanhas de incentivo de radialistas, principalmente de Gérson Macedo (Rádio Excelsior), o bloco voltou a desfilar, sob o patrocínio de alguns dos seus participantes como Jaime Moreira de Pinho, Hermes Agostinho, Manoel Nicanor das Virgens, Herondino Joaquim Ribeiro, Almir Fialho dentre ontros.
  • Sob a presidência de Camafeu de Oxossi (1976 a 1982) e com o apoio de artistas baiano, dentre eles Gilberto Gil, o afoxé retornou às ruas no ano de 1976 desfilando com cerca de 80 homens.
  • O número de participantes foi crescendo consideravelmente, chegando a 1000 associados em 1978, devido à entrada de não-estivadores no bloco, chegando a 14000 em 1999, ano do cinqüentenário do bloco.
  • Em 1979 o afoxé incorporou Raimundo Queirós como destaque, que representava o bloco em desfiles e viagens por todo o mundo, devido à sua incrível semelhança física com Mahatma Gandhi. Raimundo veio a falecer em 17.05.2006, aos 81 anos de idade.

Conquista do povo :

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Importado através do Entrudo, uma festa portuguesa de uma violência inconseqüente, acapadoçada, sem ritmo e sem riso, diz a história, o Carnaval da Bahia criou a sua própria maneira de ser, bem diferente das origens herdadas. Verdade que nas últimas décadas do século passado não era assim. Era um Carnaval elitista, feito para a classe média, com desfile das Sociedades Carnavalescas Fantoches da Euterpe e Cruz Vermelha
(Cruzeiro da Vitória), as principais, seguidas do Inocentes em Progresso e Democrata. Copiando o que acontecia na Europa, essas entidades saíam pelas ruas centrais de Salvador, com carros alegóricos, rainhas e princesas, além das alas dos cavaleiros, uniformizados como soldados e oficiais romanos, destacando-se o arauto.

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Na década de 40, o povo não participava desse tipo de Carnaval-espetáculo. No máximo, surgiam de vez em quando em áreas da avenida Sete de Setembro, São Pedro, Piedade e Mercês, jamais chegando ao Campo Grande locais nobres da cidade) as batucadas, os
bandos de índios, os tímidos afoxés (grupos de homens com seu ritmo lento, com suas máscaras de traços africanos, alguns recobertos de palhas de coqueiros, usando apenas instrumentos de percussão, os pés calosos, agora no asfalto). O povo se divertia em
áreas delimitadas: Baixa dos Sapateiros (onde se concentra o Comércio mais popular de Salvador) e Terreiro de Jesus (que integra o Centro Histórico da cidade). Aos poucos, porém, as camadas populares foram ocupando espaços na Sé, Praça Municipal, rua Chile,
alcançando a praça Castro Alves, locais onde a festa acontece com toda a força por ser o Centro de Salvador, fazendo o verdadeiro Carnaval da Bahia que acontece hoje.
A pagã Carnen Lévare (abstinência da came, data que designava a véspera de Quarta-feira de Cinzas), herança dos bacanais, lupercais e saturnais romanos, aqui se realiza através da espontaneidade popular, orientada pelos organismos governamentais que atuam respeitando a vontade do povo. O Carnaval da Bahia, na verdade, começa quando o sol de amarelo Oxum brilha no céu, anunciando a festa do verão baiano, com muito samba, festa de largo, a partir do dia maior, Santa Bárbara, Iansã, no sincretismo religioso, senhora das nuvens de chumbo, deusa dos relâmpagos, rainha dos raios e das tempestades, que segura o tempo até o Carnaval chegar.

Serviços :

Os interessados em associarem-se aos Filhos de Gandhy devem ir à sede da associação, que fica na Rua Gregório de Matos nº 53, Pelourinho – levando carteira de identidade, CPF e uma foto 3×4.

Fontes e Imagens :

Samba e Choro

Duplipensar
Degandhy

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