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Resgate ao Tupi

Segundo o site do Wikipédia o Tupi é uma língua indígena extinta, originária do povo Tupinambá, que teve sua gramática estudada pelos jesuítas, e que deu origem a dois dialetos, hoje considerados línguas independentes: a Língua Geral Paulista, e o Nheengatu (Língua Geral Amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.

Vários nomes tupis que encontramos na geografia brasileira, nas denominações dos animais, plantas etc., são quase sempre descrições das coisas a que se referem e envolvem uma explicação inteira. Cada palavra é uma verdadeira frase, o que, aliás, é um dos grandes prazeres do estudo da língua. Decifrar o significado das palavras, recorrendo, inclusive, a uma visita ao local. Um bom exemplo disso é: Paranapiacaba = paraná + epiak + -(s)aba, “mar” + “ver” + “lugar onde” = “lugar de onde se vê o mar”.

A língua Tupi é aglutinante, não possui artigos (assim como o Latim) e não flexiona em gênero nem em número.

Conceitos Importantes

TUPI ANTIGO – Essa foi a língua que os marinheiros da armada de Cabral ouviram quando aqui chegaram em 1500 e que ajudou na construção espiritual do Brasil. Naquela época, essa língua era falada em toda a costa do Brasil por muitos grupos indígenas: os Potiguaras, os Caetés, os Tupinambás, os Temiminós, os Tabajaras, etc. Seu primeiro gramático foi o Padre José de Anchieta, que publicou sua Arte de Gramática da Língua mais Usada na Costa do Brasil, em 1595.

Chegou a ser, por séculos, a língua da maioria dos membros do sistema colonial brasileiro, de índios, negros africanos e europeus, contribuindo para a unidade política do Brasil. Forneceu milhares de termos para a língua portuguesa do Brasil, nomeou milhares de lugares no nosso país (sendo, depois do português, a língua que mais produziu nomes geográficos em nosso território), esteve presente em nossa literatura colonial, no Romantismo, no Modernismo, foi a referência fundamental de todos os que quiseram afirmar a identidade cultural do Brasil. “Falada na catequese e nas bandeiras, instrumento das conquistas espirituais e territoriais da nossa história, o seu conhecimento, sequer superficial, faz parte da cultura nacional” (Lemos Barbosa, 1956).

LÍNGUA GERAL – Foi uma língua surgida da evolução do Tupi Antigo, a partir da segunda metade do século XVII, quando, então, era falada por todos os membros do sistema colonial brasileiro: negros, brancos, índios tupis e não tupis, mestiços.

TUPI-GUARANI – não é uma língua, mas uma família de mais de vinte línguas. Inclui o Tapirapé, o Wayampi, o Kamayurá, o Guarani (com seus dialetos), o Parintintin, o Xetá, o Tupi Antigo, etc. Existem línguas Tupi-Guarani, não o Tupi-Guarani. Dessas, o Tupi Antigo é a que foi estudada primeiro e a que mais influenciou a formação da cultura brasileira.

NHEENGATU – é uma língua da Amazônia, uma evolução da língua geral, falada por caboclos no vale do Rio Negro, na Amazônia. É uma fase atual do desenvolvimento histórico do Tupi Antigo, mas não é o Tupi Antigo.

TUPI MODERNO – é o nome que alguns dão ao Nheengatu da Amazônia ou, ainda, a certas línguas faladas da família Tupi-Guarani. Não é a língua que Anchieta estudou, mas uma evolução dela.

Chave da pronúncia do tupi antigo

VOGAIS:

A: ka’a – mata;

a-karu – (eu) como;

taba – aldeia

E: ere-ker – (tu) dormes;

ixé – eu;

pereba – ferida

I:  itá – pedra;

pirá – peixe;

maíra – francês

O: “a-só” (leia assó) – (eu) vou;

oka – (leia “óca”) – casa

U: upaba – lago;

sumarã – inimigo;

puká – rir

Y: fonema que não existe no português, mas existe no russo e no romeno. É uma vogal média, intermediária entre u e i, com a língua na posição para u e os lábios estendidos para i. (Sugestão prática: diga u e vá abrindo os lábios até chegar à posição em que você pronuncia i.)

Todas as vogais acima têm suas correspondentes nasais.

Consoantes e Semivogais

‘ – representa a consoante oclusiva glotal, que não existe em português. Tal fonema realiza-se com uma pequena interrupção da corrente de ar, seguida por um súbito relaxamento da glote: emba’e – coisa, so´o – caça

B – Pronuncia-se como o v do castelhano em huevo. É um b fricativo e não oclusivo, isto é, para pronunciá-lo, os lábios não se fecham, apenas friccionam-se: abá – homem; ybyrá – árvore; t-obá – rosto

Î – Como a semivogal i do português, em vai, falai, caiar, bóia, lei, dói: îuká – matar; îase’o – chorar; îakaré – jacaré

NH – É um alofone (i.e., uma outra forma) de î e pronuncia-se como no português ganhar, banha, rainha: kunhã – mulher; nhan – correr; nharõ – raiva, ferocidade; nhandu-’i – aranha.

K – Como o q ou o c do português antes de a, o ou u, como em casa, colo, querer: ker – dormir; îuká – matar; paka – paca; ybaka – céu.

M (ou MB) – Como em português mar, mel, manto, ambos, samba: momorang – embelezar; mokaba – arma de fogo; moasy – arrepender-se. Às vezes o m muda-se em mb, que é um alofone. Em mb, o b é oclusivo, devendo-se encostar os lábios para pronunciá-lo.

O m final deve ser sempre pronunciado, isto é, devem-se fechar os lábios no final da pronúncia da palavra, como no inglês “room” : a-sem – (eu) saio.

N (ou ND) – Como no português nada, nicho, nódoa, andar, indo: nupã – castigar; nem – fedorento; nong – pôr, colocar. Às vezes o n muda-se em nd, que é seu alofone.
Ex.: ne ou nde – tu; amã’-ndykyra – gotas de chuva
O n final deve ser sempre pronunciado: você deverá estar com a língua nos dentes incisivos superiores ao finalizar a pronúncia da palavra: nhan – correr; momaran – fazer brigar.

NG – Como no inglês “thing” – coisa ou “sing” – cantar. monhang – fazer; nhe’eng – falar

P – Como no português pé, porta, pedra: potim – camarão; potar – querer; pepó –  asa.

R – É sempre brando, como no português aranha, Maria, arado, mesmo no início dos vocábulos: ro’y – frio; aruru – tristonho; paranã – mar; ryryî – tremer.

S – Sempre soa como no português Sara, assunto, semana, pedaço (nunca tem som de z): a-só (leia: assó) – vou; sema – saída. Às vezes, após i e î o s realiza-se como x (seu alofone): i xy – mãe dele; su’u – morder, a-î-xu’u – mordo-o.

T – Como em antena, matar, tato: tutyra – tio; taba – aldeia; tukura – gafanhoto.

Û – Como a semi-vogal u do português em água, mau, nau, audácia, igual. Em início de sílaba pode ser pronunciado como gû: ûyrá ou gûyrá – pássaro; ûi-tu ou gûi-tu – vindo eu; ûatá ou gûatá – caminhar.

X – Como o ch ou o x do português em chácara, chapéu, xereta, feixe: ixé – eu; t-aîxó – sogra; i xy – sua mãe.

Exercício 01

Leia as seguintes palavras tupis (ouvindo-as depois):

A-

morubixaba (cacique)

ygara (canoa)

syk (chegar)

kûá (enseada)

nhe’eng (falar)

pytá (ficar)

gûyratinga (garça)

abá (índio)

îakaré (jacaré)

ygarusu (navio)

paka (paca)

peró (português)

ybyrá (árvore)

tendy (luz)

‘aka (chifre)

moti’a (peito)

ybytyra (monte, montanha)

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