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Culinárias Indígenas

 

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Existem mais de 200 grupos indígenas diferentes no Brasil. Cada um deles cultiva seus hábitos alimentares. Cada grupo tem suas preferências na gastronomia: comidas prediletas e coisas que julgam intragáveis.

Alguns grupos têm na mandioca a base de sua alimentação, outros preferem o milho. Os índios Timbira (de Tocantins e Maranhão) e Nambikwara (de Rondônia) ocupam bastante tempo na coleta de alimentos já disponíves na mata, e menos tempo em suas plantações. Já os índios Caiapó (de Mato Grosso e Pará) possuem roças complexas, com direito a especialistas dentro da aldeia que analisam o solo e o melhor local para a plantação.

Os Caiapó gostam de comer a carne de caças gordas, como antas e jabotis. Já os índios do Alto Xingu desprezam a carne de “animais de chão” e preferem comer peixes e macacos.

Outros grupos usam diversos insetos e larvas em sua alimentação cotidiana.

O mesmo alimento que é considerado uma iguaria para alguns, torna-se repulsivo para outros. Mas isso ocorre com frequência entre os não-índios também. Poucas pessoas apreciam comer escargot, que é considerado um prato da alta culinária francesa. Milhares de turistas invadem as praias brasileiras e consomem todo o tipo de ostras e mariscos com avidez enquanto alguns não podem sequer olhar para esse tipo de prato. A maniçoba, feita com folhas de mandioca brava, é dos melhores pratos que se pode comer no norte do Brasil, mas poucas bocas do sul a aguentam. E a deliciosa feijoada, unânime delícia brasileira, provoca arrepios no estômago de alguns estrangeiros que visitam o Brasil.

O escritor paraense Abguar Bastos realizou uma extensa pesquisa sobre a preferência alimentar de vários grupos indígenas. Para descrever o resultado de seus estudos ele usou o termo “pantofagia”, ou seja, o ato de comer de tudo.

Ele propôs uma divisão dos alimentos consumidos pelos índios em certas categorias: de resguardo, interditos, compensatórios, privativos e sagrados.

Os alimentos de resguardo são aqueles incentivados ou proibidos de serem consumidos durante um período ligado a um rito de passagem. Os alimentos probidos, se forem absorvidos durante esse período, podem trazer consequências graves, tanto para a pessoa que os comeu quanto para seus parentes próximos. Entre os índios Bororo, do Mato Grosso, as mães que davam à luz não comiam carne de tatu nem de tartaruga, senão seus bebês podiam ficar raquíticos. Entre os Urubu-Kaapor, do Maranhão, as meninas que estão prestes a menstruar pela primeira vez tomam uma sopa de aipim – “para esquentar a vagina” – e apenas podem comer tartaruga-branca, os peixes mandi e aracu, e chibé (farinha seca diluída na água).

Os alimentos interditos são aqueles proibidos a toda a comunidade indígena, como fêmeas grávidas ou animais considerados mágicos. Os Kaingang, do sul do Brasil, e os Rikbaktsa, do norte do Mato Grosso, não comem tamanduás. Os Kaingang dizem que são gratos ao tamanduá, que ensinou alguns cantos e danças para os índios. Entre outros exemplos: os índios Xikrin (do Pará) não comem o peixe jaú, os Karajá (do Tocantins) não comem tatu, os Tapirapé (do Mato Grosso) não comem preguiça… É comum que os índios comam a carne de macacos, mas há sempre alguma espécie que não é consumida. Geralmente o motivo é – segundo as lendas – que aquela espécie já foi um humano que se transformou em tempos passados.

Alimentos recompensatórios são geralmente reservados aos homens que realizam alguma atividade muito trabalhosa. Era habitual entre os índios Bakairi, do Mato Grosso, que os homens ganhassem alimentos de todos da aldeia, antes de partirem para a caça. Entre os índios Krahò, do Tocantins, persiste um costume realizado de tempos em tempos, que fortalece a amizade entre as famílias: todos os homens saem para a mata em busca de um alimento. Quando voltam à aldeia, oferecem esse alimento a uma mulher que não seja sua própria esposa, que retribui a gentileza com uma comida preparada por ela própria. Uma espécie de troca de presentes.

Os alimentos privativos são aqueles reservados a certos indivíduos ou grupos. Entre os índios Suyá, do Mato Grosso, apenas os homens podem comer os miúdos da anta. Também só os homens, entre os Rikbaktsa, comem a cabeça de macacos e porcos-do-mato.

Por fim, o escritor Abguar Bastos chama alguns alimentos de “sagrados”. Ele reúne nessa categoria os alimentos que sofrem uma influência espiritual, antes de serem consumidos. Por exemplo: os pajés dos índios Marubo, do sudoeste do Amazonas, usam o canto para curar as doenças. Há casos em que esses pajés cantam sobre um pote de mingau, que depois é oferecido ao índio doente. Isso ocorre também entre os índios Baniwa, do norte do Amazonas. Durante a festa Kariana, um rito de passagem feminino, os pajés benzem e jogam fumaça sobre a comida que será consumida pelas meninas; normalmente beiju com molho de pimenta, peixe cozido e uma cabeça de peixe. Entre os índios Wanana, do alto Rio Negro – noroeste amazônico, os pajés benzem também o leite materno que é oferecido às crianças durante a cerimônia de batismo.

Alimentos dos Espíritos :

É costume entre alguns grupos indígenas, que partes dos alimentos sejam reservadas aos espíritos. Essa prática não é exclusiva dos índios. As comidas de santo oferecidas aos sobrenaturais nas cerimônias de religiões afro-brasileiras, e o costume de famílias orientais – mais antigas – de colocar um pratinho de arroz nos altares, para os familiares que já morreram; também representam, a união entre os espíritos e os vivos.

Esses alimentos são porções especiais – não qualquer parte – e preparadas conforme regras estritas, usualmente pelos pajés e guias espirituais.

Os índios Mundurucu, do Pará, acreditam que os espíritos de seus antepassados aparecem na Casa onde guardam suas flautas sagradas. Em determinadas festas, os índios levam mingau de mandioca para essa casa, o que garante a proteção dos espíritos para as colheitas. Entre os índios Suyá, o pajé prepara um prato com as partes nobres da carne das antas que são caçadas, e também leva a comida para o local onde guardam seus instrumentos musicais.

É comum que esses alimentos reservados aos espíritos visem acalmar possíveis reações raivosas das almas dos animais abatidos. Essa crença é comum a diversos grupos indígenas. Algumas caças exigem melhores cuidados em virtude de sua tradição mágica. O veado, por exemplo, é considerado por várias etnias, como um ser humano encantado, e comer sua carne sem passar pelos rituais determinados, é um risco de praticar antropofagia. O antropólogo Darcy Ribeiro levantou a hipótese, enquanto conviveu com os índios Urubu-Kaapor, que os procedimentos de descarnar os veados abatidos em caçada eram semelhantes aos ritos antropofágicos dos antigos índios Tupi.

Os Kaapor contam um mito sobre Anhanga-apar, um caçador que sempre chegava à aldeia com costelas e traseiro de anta. Um dia foram espiá-lo, e descobriram que Ang, a alma do próprio caçador, era quem tirava as costelas e a bunda de seu corpo e depois as refazia. Anhanga-apar comia sua própria carne.

Para saber mais:
- Diários Índios: os Urubu-Kaapor ; de Darcy Ribeiro

Receitas de Comidas dos índios Ashaninka

As receitas a seguir foram retiradas do livro “Enciclopédia da Floresta – O alto Juruá: práticas e conhecimentos das populações”; organizado por Manuela Carneiro da Cunha. Para aqueles que desejam arriscar o preparo de alguma dessas receitas, é preciso avisar que pode haver dificuldade em encontrar alguns dos ingredientes.

Sapo na Taboca

Este prato pode ser preparado com homo (espécie de jia) ou com kaawa (canoeiro). A peculiaridade desta forma de preparo está no gosto especial que a taboca dá à carne, realçado pela palha do poreki (termo regional: açafroa). Retiram-se as tripas do sapo, lavando-o em seguida. Tempera-se a carne com sal, coloca-se no cano da taboca e adiciona-se uma quantidade de água que não derrame ao ferver. Tampa-se o cano com a palha de poreki, afasta-se a brasa e escora-se o cano da taboca (verticalmente) com um pau, de modo que só pegue o calor mas não fique em contato direto com o fogo. Depois que começar a ferver, deixa-se por mais ou menos dez minutos, e está pronto. Come-se quente ou morno, acompanhado de macaxeira cozida ou banana-grande assada.

Peixe com banana verde ralada

Limpa-se o peixe, que em seguida deve ser cortado em pedaços. Coloca-se o peixe em uma panela com água para ferver já com o sal. Enquanto cozinha, rala-se a banana. Quando o peixe estiver cozido, coloca-se a banana ralada aos poucos, mexendo sempre. Deixa-se a banana cozinhando até engrossar o caldo.

Linguiça de Macaco Preto

Tira-se o estômago do macaco, que deve ser limpado e em seguida lavado em água fervente. Cortam-se o fígado, um pouco de carne e toda a gordura. A mistura deverá ficar como se tivesse sido moída. Esta receita leva pequena quantidade de carne, e seu sabor característico é o resultado da combinação da gordura com o fígado. Tempera-se a mistura com sal, pimenta-malagueta ou outra pimenta forte e batata de poreki ralada. Coloca-se a mistura dentro do estômago do macaco e costura-se com linha de algodão, para que não saia. Cozinha-se com água por cerca de uma hora. Depois de cozido, coloca-se para moquear; após mais ou menos uma hora, estará pronto para comer.

Tracajá cozido no casco com ovos

Limpa-se o tracajá, retirando todo o fato. Corta-se a cane e reserva-se. Afastam-se as brasas (formando um círculo) e coloca-se o casco do tracajá no meio. Adiciona-se um pouco de água à carne, que deve ser colocada dentro do casco. Quando estiver cozido, tempera-se com sal. Cortam-se umas quatro ou cinco bananas-grandes sobre a carne, mexendo sempre. Colocam-se de seis a dez ovos de tracajá dentro do cozido; em seguida retira-se o casco do fogo – está pronto.

Para saber mais:
- Enciclopédia da Floresta – O alto Juruá: práticas e conhecimentos das populações; organizado por Manuela Carneiro da Cunha

Panelas :

Os índios Waurá vivem na região do Alto Xingu, no Mato Grosso. As mulheres desse grupo são reconhecidas como especialistas em cerâmica. Há relatos do passado, que as mulheres Waurá eram raptadas por etnias vizinhas, principalmente devido a esse dom. Elas criam panelas, tigelas e cumbucas na forma de vários animais e espíritos. Pintam seu fundo com intrincados padrões de desenho, mesmo sabendo que na primeira vez em que forem ao fogo, esses desenhos desaparecem. A seguir vão algumas dessas cerâmicas, chamadas na língua Waurá de makulatáin:

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Waura panela tatu
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Waura panela onca
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Waura tigela
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Waura panela cascudo
Textos Retirados do site Iandé.
Iandé – Casa das Culturas Indígenas : rua Augusta 1.371 , loja 07 – Galeria Ouro Velho – São Paulo
Horário de funcionamento: segunda a sexta das 10:00 às 19:00h ; sábado das 9:00 às 14:00h


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